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A primazia da fé



Rm 1.17 - Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

A primazia da fé, muito desprezada pelos dialéticos, nesse verso se apresenta de forma sublime. Anselmo de Cantuária, influente teólogo e filósofo medieval italiano, recusou-se terminantemente a submeter as Escrituras a dialética o que de fato é louvável. Giovanni Reale em “História da Filosofia: Antigüidade e Idade Média” comenta o assunto da seguinte forma:


“As verdades de fé estão pressupostas (fides quae creditur) nos seus conteúdos, que não são fruto da investigação racional, mas a ela são oferecidos pela própria fé, que permanece o ponto de partida, uma espécie de pilastra, de toda construção racional”

Ou seja, a base da razão é a fé, pois se assim não o fosse a razão não subsistiria. Para se compreender algo precisamos primeiramente crer na possibilidade de compreensão, o que de qualquer forma parte do principio da fé ainda que muitos dialéticos o neguem. Neste caso, a fé se dá através do intelecto quando o ser humano aceita aquilo que crê, se convencendo, compreendendo e crendo racionalmente.

Referindo-se ao texto de Rm 1.17, Stott em sua obra “A Mensagem de Romanos” faz uma citação muito interessante, vejamos:

a – Tem a ver com a origem da fé – “Da fé de Deus que faz a oferta, à fé do homem que a recebe, da fé (Fidelidade) de Deus à nossa fé. A fidelidade de Deus vem sempre primeiro e a nossa nunca passa de uma mera resposta; b – Pode ser que Paulo tenha em mente a divulgação da fé por meio do evangelho (de um crente a outro); c – Paulo pode estar fazendo uma alusão ao crescimento da fé: “de um nível para outro.”; d – Paulo pode estar discutindo a primazia da fé, neste caso a expressão seria puramente retórica”.

A ultima colocação de Stott parece ser mais apropriada para a compreensão da primazia da fé citada no verso em questão, visto que a justiça de Deus somente será alcançada por meio da fé, referindo-se, neste caso a fé para salvação. Desta forma, vemos que a fé é a base e o alicerce para a razão e compreensão de todas as coisas, ainda que essa fé, a principio seja uma fé intelectual. De toda forma a fé é uma atividade do homem, como vemos em Mateus:

Mt 9.24 - Imediatamente o pai do menino, clamando, com lágrimas disse: Creio! Ajuda a minha incredulidade.

A fé exige exercício continuo, mas antes de tudo é Dom exclusivo de Deus, concedido pela sua maravilhosa graça. Nossa fé depende única e exclusivamente de Deus que nos proporciona a medida que a exercitamos. Jesus por varias vezes repreendeu seus discípulos pela pouca fé apresentada:

Mt 8.26 Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança.

No exercício da fé, a alma humana funciona através de suas atividades comuns, agindo principalmente através do intelecto, no entanto, é através da volição que a alma humana parte em busca de seu maior objetivo, a salvação que só se encontra em Cristo. Este é o ponto mais importante que se destaca em Rm 1.17:

“Mas o justo viverá da fé”. 

Sem essa maravilhosa fé em Cristo jamais se alcança a salvação.

Pr. Waldex

De nosso livro: Reflexões teológicas da atualidade  
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