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O Padrão ético do Reino de Deus

Sl 15.1-2 – “Quem, Senhor, habitará na tua tenda? quem morará no teu santo monte? Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça...”

Sem duvida alguma, o primeiro item citado pelo salmista engloba todo e qualquer tipo de conduta adotado pelo ser humano: “Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça...”


Segundo linguagem bíblica, o termo justiça, do hebraico “sedaqah”, é algo que se estende além das relações humanas. Conforme Mt 3.15 a justiça a que Cristo se refere é para salvar e criar melhor condição de vida para a humanidade, tanto dentro do plano físico e existencial como principalmente dentro do plano espiritual. Em justiça a harmonia reina, mas com a injustiça, rompe-se a unidade da obra criadora, trazendo o caos e a desordem na sociedade, provocando à morte. Por isso cita Tiago: “Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” (Tg 4.1)

De todos os pecados praticados pelo ser humano a soberba se destaca sendo sem duvida a principal raiz de todos os males levando o homem a ruína: “Antes da ruína eleva-se o coração do homem...” (Pv 18.12)

Foi a soberba que levou lúcifer e os anjos a rebelião assim como levou Adão e Eva a desobediência. Por outro lado, a humildade que é uma grande virtude e totalmente oposta a soberba é uma das principais características do próprio Jesus, sendo Ele “manso e humilde de coração” (Mt 11,29),

John Stott comenta em seu livro “Contracultura Cristã” sobre o sermão do monte e as características nele contidas que devem ter um cidadão dos céus: “O sermão do monte é o esboço mais completo, em todo o Novo Testamento, da contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completamente diferente do mundo que não é cristão. E esta contracultura cristã é a vida do reino de Deus, uma vida humana realmente plena, mas vivida sob o governo divino” (STOTT, John R.W. Contracultura Cristã. São Paulo: ABU Editora, 1982. 235p.).

Nas bem-aventuranças citadas por Jesus vemos: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.3)

Dos humildes é o reino dos céus... Antes de afetar os relacionamentos humanos e ser um comportamento ordinário entre as pessoas, a soberba primeiramente afeta o relacionamento entre o homem e Deus, contrariando, o homem, a relação de dependência da criatura para com o criador. A estes, Deus lhes resiste (Tiago 4.6) e de longe o Senhor os conhece (Sl 138.6).

Assim como a soberba não é primeiramente uma atitude externa que afeta o relacionamento entre os seres humanos, também a humildade não o é. A humildade acima de tudo é uma atitude interna de submissão do homem para com Deus. Tal atitude nasce de um coração totalmente regenerado e cheio da graça de Deus, condição essa que permite ao ser humano expressa-la no relacionamento com seus semelhantes. Mantendo-se o ser humano nessa condição, ele pode ser chamado de humilde. A esse, o Senhor lhe da graça (Pv 3.34).

A verdadeira humildade é a mais nobre de todas as virtudes e é acompanhada da real sabedoria, jamais compartilhando com a hipocrisia ou com a falsidade: “Quando vem a soberba, então vem a desonra; mas com os humildes está a sabedoria.” (Pv 11.2)

O homem orgulhoso é soberbo e acha-se superior escondendo-se, muitas das vezes por trás da falsa humildade e da falsa piedade: “...então falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o Senhor nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egito para ali peregrinardes...” (Jr 43. 2)

O humilde faz sempre algo além da sua obrigação com muito amor. O orgulhoso não colabora e em total atitude de desamor, passa de largo: “Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo.” (Lc 10.31)

O humilde é submisso, respeita seus superiores e está sempre disposto a aprender com alguém. Já orgulhoso não aceita se submeter a ninguém, e quando se submete resiste aos superiores procurando neles defeitos: “... e ajuntando-se contra Moisés e contra Arão, disseram-lhes: Demais é o que vos arrogais a vós, visto que toda a congregação e santa, todos eles são santos, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a assembléia do Senhor?” (Nm 16. 3)

O soberbo julga que pode conseguir tudo pelo seu próprio esforço e mérito, enquanto o humilde é dependente de Deus sabendo não ser merecedor de nada. O humilde vive uma vida dependente da graça de Deus, está consciente que é salvo pela graça e não se abate diante dos reveses da vida, antes sabe, dele é o Reino dos Céus.


Pr. Waldex Silva
De nosso livro: Reflexões teológicas da atualidade  
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